Space Lesbians

 


Com a idade, as coisas vão lentamente parando de funcionar, então faz tempo que não sinto um distúrbio na Força. Como a Força disturbilhou com força dessa vez, até fiz força para não sentir, mas não consegui. O fato é que quando Anakin Skywalker nasceu, sua mãe não sabia quem era o pai, razão pela qual Qui-Gon Jinn - que a Força o tenha - concluiu que aquilo deveria ser obra dos midi-chlorians. Afinal, essa coisa de imaculada conceição é extremamente rara, mas é uma profecia que se concretiza com frequência. No Brazil, por exemplo, temos os filhos do Bonde, pacotinhos¹ que nascem quando as meninas voltam grávidas do baile funk e não sabem quem é o pai:

- De onde saiu essa barriga, minha filha?
- Não faço ideia, papai. Acho que foram os midi-chlorians.

Os midi-chlorians são a razão pela qual temos 5,5 milhões de crianças sem pai² no registro no Brasil. Como isso é uma coisa muito patriarcal e machista, em Star Wars agora temos uma tribo de bruxas lésbicas do espaço que se reproduz através de clonagem de velcro sem registrar o nome do pai no cartório. Veja bem: gravidez milagrosa sem pai é um fenômeno que acontece nas melhores famílias, mas esse negócio de mãe que engravida de outra mãe viola todas as leis biológicas e meteorológicas conhecidas. Algo errado não está certo na série Acolyte da Disney, onde as protagonistas principais são gêmeas que não precisam de macho pra nada paridas por uma bruxa chifruda que engravidou de uma bruxa black. 

Empoderamento interssecional é escuramente o objetivo ideológico da série, que desconstrói papéis de gênero heteronormativos reforçando papéis de gênero lésbico. Nesse affair far, far away, a chifruda é a passiva submissa, e a black não só é a ativa dominante do casal como poderosa líder da poderosa tribo de poderosas bruxas lésbicas do espaço. O detalhe que ninguém observou é que elas nunca disseram que os midi-chlorians estavam envolvidos no nascimento das gêmeas. A única informação disponível é que uma pariu o que a outra fez, portanto não é preciso ser o Qui-Gon Jinn para pressentir que há um falo lésbico enfiado em algum lugar dessa misteriosa história.    

Não estamos falando aqui do falo lésbico da Judith Butler, que nada mais é do que imagem fantasmática metaforética resultante de construção performativa de corpos dissidentes. Estamos falando de falo mesmo, um falo ticudo e viril com il maiúsculo, o que significa que a bruxa black é na realidade uma mulher trans. Na mitologia woke, o ser supremo é a mulher negra translésbica, já que interseccionaliza todas as formas de opressão. A mulher negra translésbica é negra, é trans, é lésbica e ainda por cima é uma mulher de verdade com penes. Esse é o ser iluminado de máxima virtude escolhido por Frida para liderar a rebelião final que irá livrar o mundo da ameaça capitalista patriarcal cisheteroeuronormativa e restaurar o desequilíbrio da Força. 

O penes feminino oculto enfiado subliminarmente nas entrelinhas da narrativa resolve o mistério da reprodução através de clonagem de velcro da série Acolyte, e eu fui o primeiro na galáxia a pressentir esse penes. Sendo o caso, a solução desse lésbico enigma é um furo que eu fui o primeiro a dar, portanto lembre-se, amiguinhe: the Force is female ficava a sua vó. A Força agora é transfemale.


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