Put a chick in it!

 

Os poderes premonitórios de South Park, concorrente dos visionários Simpsons, são largamente reconhecidos, então já era esperado que o episódio do "put a chick in it, make her lame and gay" criado para zoar com a Disney era o escolhido, aquele nascido para cumprir a profecia e restaurar o equilíbrio da Força. 

A nova série Wokeolyte da franquia Star Hers tem contagem de woke-chlorians fora da curva, já que o índice diversotário de inclusividade do trailer no YouTube é o máximo autorizado pelos órgãos reguladores: nenhum homem branco hetero à vista. O elenco principal é inteiramente formado por chicks empoderadas, e a história gira em torno de uma vilã do bem, que por acaso é uma mulher negra queer que terá um affair lésbico na história para provar que mulheres não dependem de macho pra nada. A equipe  do South Park está de parabéns. Índice de precisão de 178,59%.

Vilões do bem parecem ser o trend do momento em Hollywoke para fabricar narrativas moralmente ambíguas onde o vilão - sempre uma mulher - é só uma pessoa atormentada e mal compreendida. O único problema com o vilão do bem é que ele não é uma criatura moralmente ambígua porque vilão do bem não existe.  

Todo vilão acha que é do bem. O Bigodinho, por exemplo, se achava um cara do bem atormentado por um passado de opressão. Por certo sabia que esse negócio de que não é possível ser antissemita contra judeus opressores ia ser mal entendido, mas não é porque o que você faz é mal compreendido que você é um cara do mal. Você é só um ser complexo com virtudes e defeitos como qualquer outro, ou seja, moralmente ambíguo. 

O bom de ser ambíguo é a emancipação da necessidade de ter que lidar com conceitos inconvenientes e ultrapassados como justiça ou responsabilidade, por exemplo. Se qualquer coisa indesejável for produzida em razão da sua ambígua atividade, é possível deitar a cabeça no travesseiro e dormir o sono dos cheirosos e virtuosos com a certeza de que, no fim, é tudo culpa dos incels misóginos. 

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