Fã Nático

 


Gosto do Henry Cavill. Além de ser o segundo melhor Superman, me parece um cara do bem, alguém sensato e centrado. Haters vão me odiar e dizer que ele é no máximo o terceiro melhor Superman, mas enfim, opinião não foi feita para concordar, mas para lamentar.

Ao ser perguntado sobre o que achava¹ a respeito dos fãs tóxicos, Cavill prontamente disse não acreditar em tal coisa, pois, segundo ele, não existe fã tóxico, apenas fã apaixonado. The Witcher está enfeitiçado de razão. Quando nos apaixonamos por algo, sentir-se desapontado pelo objeto da sua adoração é absolutamente natural, já que paixão é um direito do indivíduo, não do objeto da sua paixão. 

Não gosto do R.R. Martin, típico farsante que odeia os que odeiam, e fica falando mal² da toxidade dos anti-fãs de rede social. Odeio gente que odeia quem odeia, então vamos ter que lembrar os superensinamentos do bruxo Cavill: não existem anti-fãs, apenas fãs. Se não fossem, não estariam perdendo seu tempo falando mal do objeto da sua paixão. Amor e ódio, por sinal, sempre andaram juntos, coisa que testemunhei muitas vezes online. Feministas, por exemplo, me amam, e é por isso que me odeiam. A dor de sentir-se traído pelo objeto do seu desejo é a pior de todas. 

Esse boomer é um mentiroso, e quer que as gerações atuais se odeiem mentindo que no passado tudo era cheiroso e rosinha, e ninguém falava mal de coisa alguma. Não acreditem nessa mentira, pois ela não é verdade. Fãs desapontados com filmes, marcas ou bandas sempre existiram, e tudo hoje é igual como era no passado, só que mais viral, mais barulhento e com CGI piorado. O Retorno de Jedi, hoje um clássico, foi bastante odiado quando saiu, em especial por causa dos Ewoks. Ursinhos Carinhosos contra o Império ninguém merece. 

A verdade é que o que importa mesmo não é o ódio, mas quem odeia. Feministas, por exemplo, são fãs de homens, não conseguem viver sem aquilo que balança, mas estão a décadas falando mal deles, prática recorrente nas redes sociais. Ninguém liga. Temos até livro³ para ensinar a feministas como sair com homens quando você odeia homens, um clássico do toxic fandom. Ninguém liga também. 

Tóxico mesmo é a cultura atual do controle pedante e patológico de ideias e comportamentos, que nos rouba parte da nossa humanidade. Ter opinião que desagrada os outros é um direito humano. Se algum desentendimento ocorre pelo caminho, basta fazer o que sempre fizemos: mandar pastar e seguir em frente como seres adultos e civilizados. 

Nada se quebrou, nada se perdeu, nada foi destruído, a não ser a presunção do indivíduo de que ser incondicionalmente amado, idolatrado e bajulado por todos é um direito fundamental que ele - e só ele - é possuidor. Não estamos na era dos fãs tóxicos, mas sim na era dos narcisistas tóxicos que acham que todo mundo tem obrigação de ser seu fã.





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