Oscar do Milênio

 

O Oscar para o discurso feminista mais sem noção do milênio seguramente é de Tatiana Maslany, que ao interpretar She-Hulk proferiu¹ o infame e furioso "sou especialista em controlar minha raiva porque faço isso INFINITAMENTE MAIS DO QUE VOCÊ". Raivosinha Maslany é hors-concours, mas America Ferrera lidera com folga a segunda posição por sua atuação no filme Barbie.

Transitando entre dificuldades comuns a ambos os sexos na vida adulta, delírios, paranoias e outros mimimis, a coadjuvante de boneca alucina em discurso emocionado² que é impossível ser mulher. O discurso existe para resgatar Margot Robbie de seu episódio de depressão catatônica através de um choque de cumplicidade. A mágica da sonoridade entre fêmeas, entretanto, não poderia funcionar, pois os problemas listados por Ferrera, ainda que supostamente comuns à toda vítima do patriarcado, são alienígenas para a boneca. 

É literalmente possível ser mulher, embora o mesmo não possa ser dito sobre a mulher feminista. Imagine ser uma feminista branca da elite em uma país do primeiro mundo, possuir beleza, milhões de dólares na conta bancária, talento, sucesso profissional, status, prestígio e poder, mas ainda assim achar que a sociedade falhou com você por que um macho branco e hetero foi indicado ao Oscar por causa de um filme que você mesmo fez. Isso parece até roteiro do Trans Cruise - Missão: Impossível Ser Mulher. 

Ryan Gosling foi indicado para ator coadjuvante pelo filme Barbie, mas America Ferrera também³ foi. Pelos meus cálculos, a paridade de gênero foi atingida. A condição feminista deve ser algo realmente miserável, já que não importa o quanto você conseguiu na vida, só o que importa é que não é possível ser feliz sabendo que em algum lugar, em algum momento, há um homem se dando bem. 

O episódio de fato prova que o filme está certo, pois o que vimos na Barbielândia foi encenado na vida real. Barbies e Kens estavam adorando o Kentriarcado, mas tal mundo era inadmissível para as Barbies femichatas, já que é irrelevante para elas o quanto mulheres estão felizes e satisfeitas na sociedade. Enquanto houver um único homem a pairar acima da linha da mendicância material e emocional, tal mundo é maligno e corrupto, e precisa ser destruído.

Feminismo é, e sempre foi, um movimento da mulher da elite. Seu combustível é o recalque e ressentimento com o homem da elite, razão pela qual seus objetivos devem ser alcançados ainda que às custas das mulheres do baixo clero. America Ferrera é uma latina subalterna, mas teve seu momento ao sol ofuscado porque femichatas com dor de cotovelo estão histericamente preocupadas com o Ryan Gosling.

Para desespero das femichatas, Ken roubou os holofotes dentro e fora das telonas. Assim como aconteceu no filme, mostrou que pode existir sem a Barbie. Ao que parece, não haverá continuação do filme da boneca, mas o Ken tem potencial. Só o que falta para um spin-off do boneco é o título. Até já pensei em alguns:

- Ken: O Retorno
- Ken vai ficar com Ken?
- 00Ken contra Barbiefinger
- Kenry Potter e a Boneca Filosofal
- Kenppenheimer
- Ken in Black
- Cinquenta Kens de Cinza
- O Kenquistador do Oeste
- O Último Kenmurai
- Piratas do Kenribe
- Kenratê Kid

Uma versão da Barbie adulterada para fraudar os otários também é possível. Seria como Mad Max: Estrada da Furiosa, em que o incauto paga para ver o Max, mas fica Mad porque o filme é da Furiosa. Minha ideia é fazer uma Barbie onde o desavisado paga para a ver filme de boneca, mas quando vai ver é de boneco. Infelizmente, Greta Gerwig roubou meu roteiro, e já produziu o filme sem me dar os créditos. Só o que me resta é chorar o Oscar derramado. 

#OscarsoKen






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