Heroína de Menino, Heroína de Menina

 


A lenda urbana de que homens tem aversão à mulheres poderosas em filmes é possivelmente a mais delirante da história da urbanização. Tem que ser, porque a mitologia da mulher poderosa é na realidade uma fantasia masculina. Mulher-Maravilha, por exemplo, é uma releitura criada por homens do mito grego da amazona, também criado por homens para protagonizar as lendas de ação de milhares de anos atrás. Como podemos observar, essa mania de dar reboot em franquias empoeiradas é bastante antiga.

Há massiva evidência de que o estereótipo da protagonista mulher poderosa é uma fantasia masculina criada para habitar mitos masculinos, mas sempre é útil encontrar um daqueles artigos feitos para provar o que todo mundo já sabia. De acordo com estudo publicado no Evolutionary Behavioral Sciences¹, autores homens tendem a criar heroínas femininas que são fisicamente poderosas e com mais frequência se envolvem em conflitos físicos para atingir seus objetivos do que autores mulheres.

Mulheres são mais propensas a criar heroínas humanas sem habilidades sobre-humanas, ao contrário de autores homens, que fantasiam com mais frequência heroínas que não são inteiramente humanas. Quando há times de heróis na história, mulheres geralmente criam os heróis masculinos mais fortes do que os femininos, o que não é verdade para autores homens. Isso desmonta a tese da masculinidade frágil avançada por Hollywoke e seus lacrominions, que diz que homens têm problemas com personagens femininas mais poderosas que seus colegas homens. Como de costume, precisamente o inverso é verdade.

No filme Barbie, vemos a típica heroína criada por mulheres prevista pelo estudo, já que a boneca salva a Barbielândia do patriarcado Kenpressor sem se envolver em combate físico com os Kens. Na contramão da cinematografia girl boss atual, a boneca percorre a mítica e esquecida jornada do herói. Após ingressar em sua aventura com certa resistência, Barbie falha de forma catastrófica ao observar os Kens assumirem o controle da Barbielândia. A reação conduz a heroína à vitória, que termina sua jornada mais sábia do que no início.

Mulher-Maravilha é filha de Zeus, uma semi-deusa com super-poderes capaz de matar deuses. Ainda assim, a super-heroína não foi páreo para a boneca, uma sub-humana cujo único super-poder era ser capaz de esnobar o Ken. Barbie faturou U$ 1.4 bilhões, quase o dobro da bilheteria da amazona. Chora, perua!


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