Barbie - The Movie

 

Margot Robbie, que estrela e produz o filme Barbie, está dizendo por aí que sua produção é feminista. A gafe criou uma cueca justa para a Mattel, dona dos direitos sobre a boneca. Os executivos da empresa estão tendo que negar¹ que Barbie é um filme feminista, possivelmente porque já sabem que associar Barbie a feminismo é tudo que você precisa para ir à falência criando a tempestade perfeita: feminista não compra Barbie, e quem compra Barbie não está interessada em feminismo. Adicionalmente, associar filme a feminismo hoje é tudo que você não precisa para atrair público, já que filme feminista é que nem futebol feminino no Brasil: nem feminista quer assistir aquilo, que dirá as pessoas normais.

Afinal, Barbie é ou não é? Bem, a primeira Barbie surgiu em 1959, e foi inspirada em Bild Lilli, um personagem de um cartum alemão² da década de 1950. Lilli era uma mulher jovem, independente e que "às vezes se relacionava" com homens mais velhos. Ao contrário de outras bonecas, que reproduziam imagens infantis, Barbie era uma mulher adulta de maiô, uma indumentária ousada para a época. Seu lançamento coincide como a emergência do feminismo de segunda onda, então Barbie teve várias profissões³, incluindo cirurgiã, astronauta, piloto da Força Aérea, policial e bombeiro.

Barbie era o sonho de consumo das discípulas de Frida. A boneca era bonita, fashion, descolada, bem-sucedida e independente, o tipo de brinquedo que as Thaís Araújo do milênio passado sonhavam dar às filhas para ensiná-las que mulher não precisa de Ken pra nada. Aquilo era muito bom para ser verdade, então o que poderia dar errado? Bem, quando você dá a feministas tudo o que elas querem, elas fazem exatamente o que mulheres fazem fazem quando ganham tudo que queriam: encher o saco e catar defeito para encontrar uma desculpa para reclamar e dizer que aquilo que era melhor do que o que elas pediram não é bem o que elas queriam. 

Essa Barbie é muito magra, muito padrão, muito loira, muito branca, muito rosa, muito americana, muito hetero, muito cis, muito [insira aqui o seu mimimi]. A Mattel, na tentativa de se curar do seu machismo, reagiu, então hoje temos Barbie de várias raças e nacionalidades: Barbie careca, com Down, cadeirante, com prótese de perna, Barbie trans, com vitiligo, muçulmana, etc. Temos até Barbie não binária, a boneca ideal⁴ para pais desconstruídes que não entendem o que é gênero e querem ajudar os filhos a não entender também.

Adiantou alguma coisa? Escuro que não, já que não importa que existam mais modelos de Barbie do que gêneros no universo, feministas têm amnésia seletiva provocada por intoxicação ideológica, e vão lembrar somente da Barbie dona de casa com fogão e panelinha para poder continuar enchendo o saco com seu discurso de que que a boneca é símbolo do capetalismo patriarcal misógino e contribui para perpetuar estereótipos nocivos de gênero e padrões patriarcais de beleza.

Perguntar se Barbie é feminista, no fim, é um equívoco, pois o mais importante é entender que feministas são a Barbie, e o ódio que elas têm dessa boneca é na verdade um exercício de auto-crítica. Feminismo da segunda onda foi um movimento de mulheres brancas da elite reclamando que não precisar trabalhar e passar as tardes comprando perfume Xanéu e bolsa Vitorugô com o cartão de crédito do marido era o retrato da opressão. O que temos é um movimento que foi literalmente alavancado por falta de louça para lavar, já que quem lavava a louça das madames revolucionárias era a empregada, evidentemente bancada com o dinheiro do marido opressor.

Felizmente hoje tudo piorou, e a feminista moderna continua sendo uma pessoa vazia, fútil, narcisista, alienada, consumista, obcecada pela imagem, que reclama de excesso de liberdade de expressão, micro-agressões, micro-machismos, gatilhos, falta de safe space e de macho rico com talento pra ser corno pra casar. Barbie está concorrendo com Oppenheimer nos cinemas, então se você está na dúvida sobre o que assistir, lembre-se de que a boneca da Mattel é provavelmente mais importante para entender a história do Ocidente do que a invenção da bomba atômica. 

A Ken interessar possa, fica a dica. 

 




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