A Tradicional

 

Falar em erosão da família tradicional é falhar em entender que essa estrutura já é um modelo de desagregação familiar. Também não há nada de tradicional nesse modelo, já que a família nuclear composta por papai, mamãe e pacotinhos é um produto da revolução industrial, que se consolidou na mitologia popular por meio de marketing cultural de boomers yankees. 

Essas dinossáuricas criaturas, que ainda estão entre nós, viveram no período de bonança ocorrido após a Segunda Guerra, uma época dourada em que os superpapais conseguiam sustentar esposa e ranhentinhos lavando pratos no McDonald's. Embora seus poderes fossem nada mais do que um truque de efeitos econômicos especiais, ainda assim eram heróis.

Por séculos, o paradigma tradicional de família consistia em clãs familiares de tamanhos diversos, onde várias gerações aparentadas viviam na mesma casa ou propriedade, mas mesmo esse já é um modelo de desagregação familiar que sucedeu a tribo, ambiente em que nossa espécie existiu por dezenas de milhares de anos. Na tribo, o conceito de família se confunde com o de sociedade, cultura ou mesmo de mundo, já que tudo de essencial e relevante no universo do indivíduo se encerrava nos limites da aldeia. Seja lá o que estivesse além dessa fronteira, era alienígena e provavelmente hostil.

A tribo tradicional explica as taras tribais do cidadão moderno, obcecado por reencenar a herança biológica de seus ancestrais artificialmente com partidos, pólos políticos, ideologias, times, clubes e outros artefatos abstratos. É difícil entender que tipo de neurose o urbanóide digital carrega em virtude de sua exclusão desse ambiente ancestral, mas uma delas com certeza é o tribalismo de gênero, mais conhecido como feminismo.

Neurotizada pela falta de cacique, a feminista moderna pretende eliminar papéis de gênero reforçando papéis de gênero através da manutenção daquilo que quer destruir - a família patriarcal - modelo em que o macho opressor entra com o pinto e o cartão de crédito. Como nada além dessas partes do homem tem muita utilidade para mulheres, feministas estão desesperadas para revogar a Lei de Alienação Parental, a legislação que promove a destruição de papéis de gênero ao reconhecer que homens são mais do que um pênis com conta bancária acoplada.

Um dos argumentos principais neurotizados em favor da revogação é de que homens abusam da lei para obter reversão da guarda com falsas acusações de abuso e maus tratos. Neurose pura, pois todo crime é sujeito a falsas acusações, inclusive o de estupro e de violência doméstica, e ninguém vai sugerir a revogação da Maria da Penha por causa disso. 

Esse pavor da reversão da guarda com certeza é neurose, pois, de acordo com feministas, o mal do patriarcado é o abandono parental, alucinação fantasiada por meio da famosa lenda urbana dos 5,5 milhões de pacotinhos sem pai na certidão de nascimento, um instrumento patriarcal heterossexista em que a sociedade cisnormativa transfóbica registro o sexo da criança sem consultá-la para saber o que ele vai declarar sobre o socioconstruído assunto.

Sei que é difícil, mas por favor raciocine agora comigo, amiguinhe: se homens são crápulas que abandonam os filhos, por que fariam falsas acusações para obter a guarda dos pimpolhos? Não fás centido essa neurose, que já nem é mais neurose. O que temos é gaslighting de gênero, que é quando a feminista neurótica move mundos para neurotizar os outros para que ninguém desconfie que a neurótica é ela. O plano é muito bom, mas infelizmente não funcionou.

Seja como for, nada disso importa, pois hoje é sexta, então aproveite que está de bom humor e vote contra o projeto de lei que revoga a Lei de Alienação Parental. Desejo a todos, todas e todes, da tribo e fora dela, um bom fim-de-semana.




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