Pálido Ponto Azul

 

Décadas atrás, antes da Tudo é Pill, das redes sociais, dos iGadgets e da World Woke Web, parei na frente de um mapa em um shopping center que continha a seguinte informação: você está aqui. Imediatamente me perguntei como o mapa sabia que eu estava ali. Seria aquilo uma tecnologia nova, alguma mágica, vudu, talvez assombração? Um calafrio me percorreu a espinha. Foi um momento quase místico, que durou cerca de alguns centésimos de segundo, o tempo necessário para que eu entendesse o que realmente estava ocorrendo. 

O que estava ocorrendo é que sou meio lento, mas como não estava com pressa, não me atrasei. Desde aquele dia tenho me ocupado de saber onde estou, qual é o meu lugar. Onde estaria eu na sociedade, na história ou entre os humanos? Onde estou na árvore da vida, nos milhões de anos de evolução que me trouxeram até aqui? Qual meu lugar no planeta ou mesmo no universo? Saber o seu lugar no Cosmos já foi algo de fundamental importância, mas hoje é só uma coisa que um app de celular faz quando você pede um Uber. 

Muita coisa mudou desde que eu me perguntei como aquele mapa sabia onde eu estava, razão pela qual hoje é possível a mim saber onde você está. Você está aqui, no final do meu texto, contemplando a flutuar na infindável vastidão das eras um categórico ponto final. O breve instante que você está testemunhando existe também aqui, neste pálido ponto azul, o ponto inicial¹ de tudo que você já foi, e o final de tudo que você ainda vai ser. 

Tenham todos uma boa semana. Que não seja eterna, posto que a sexta chama, mas que seja infinita enquanto dure.

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