Feminilidade Frágil

 

Após encontrar uma parede danificada em um banheiro masculino¹ na Nova Zelândia, o proprietário resolveu cobrir o estrago com uma moldura de quadro e batizar de "Masculinidade Frágil" - Artista Desconhecido. A "obra" viralizou, então tive a ideia de juntar um desses cocôs que feministas defecam na rua para lacrar o chão em protesto contra a falta de coisa melhor pra fazer durante a Marcha das Vaaldjzias, emoldurar e batizar de "Feminilidade Frágil". 

Não pretendo de modo algum com esse quadro fazer arte, ativismo ou transmitir alguma mensagem. Assim como o proprietário do banheiro na Nova Zelândia, só o que eu quero é catar like com alguma caquinha qualquer, dessas que todo mundo fica clicando nas redes sociais. 

O fato é que o mundo se transforma cada vez mais rápido, então essa "obra" no banheiro masculino, emoldurada em 2018, não é compatível com os padrões de diversidade, equidade e inclusividade requeridos hoje, portanto não envelheceu muito bem. Ninguém viu quem deu o soco na parede, então você está assumindo o gênero da pessoa antes de saber o que ela declara. 

É perfeitamente possível que fosse uma mulher trans que se sentiu revoltada por não poder usar o banheiro feminino ou porque acabou o papel higiênico, então o quadro deveria ter sido batizado de transfeminilidade frágil. Poderia ter sido demigeneridade frágil, monossexualidade frágil, assexualidade frágil, safogeneridade frágil, julerigeneridade frágil, pangeneridade frágil, opscugeneridade frágil, metageneridade frágil, moli, para, segui, magi, dodra ou hemigeneridade frágil, etc. 

Na impossibilidade de saber qual o gênero da fragilidade que está na parede, a única moldura politicamente correta e não transfóbica possível é a do gênero-nulo frágil, pois gênero-nulo é o gênero não-binário dos que não conseguem identificar seu gênero² de jeito nenhum, informação que pode ser conferida na lista de identidades do site Orientando. Essa é a fonte onde eu finalmente descobri meu gênero. Sou gênero-quê, um gênero que não consegue entender o conceito de gênero ou de ter um gênero por conta de neurodivergência. Se você já fritou o cérebro tentando entender identidades não-binárias, você é gênero-quê também, então junte-se a mim na luta contra a generoquefobia da sociedade generoquefóbica.


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