Poster Boy

 



Diversidade é vendida por Hollywoke hoje como artigo de vanguarda, mas, assim como protagonismo feminino no cinema, é outra daquelas modernidades da época dos faraós. Na equipe do filme Predador (1987), por exemplo, temos dois personagens afro-americanos (Mac & Dillon), um latino (Poncho), e um índio Sioux (Billy). Os dois únicos white Americans do elenco principal são Blain, clássico redneck sulista, e Hawkins, o estereótipo do norte-americano do norte. A dupla encapsula a divisão histórica e político-ideológica mais relevante e representativa do povo americano.

A cereja do bolo nessa festa da representatividade diversocrática é o poster boy do American dream Arnold Schwarzenegger, que faz o papel de Dutch, um mercenário holandês. O sonho americano - esse entulho démodé e old-fashion - encerra, em sua essência, a diversidade como um de seus valores fundamentais, já que vende a ideia de que não importa de onde você vem ou quem você é. Se você puxar ferro o suficiente, há para você um pedaço do American Pie.

Poucos malharam tanto quanto Arnold, um imigrante austríaco. Seu sotaque germânico é como aquele ator de Matrix: o Reeves. Isso deveria ter condenado o ator a papéis coadjuvantes e/ou estereotipados, mas Shartzie deu um hasta la vista nesse obstáculo aparentemente intransponível, e o resto da meteórica história já conhecemos. O Terminator também foi Governator na California, e possivelmente o único motivo pelo qual não é presidente é sua inelegibilidade para o cargo em razão de não ser americano nato.

Danny Glover, ator negro em evidência por seu trabalho em Máquina Mortífera (1987), assumiu como protagonista principal na continuação de Predador, em 1990. Todos esperavam Arnold para essa sequência, que abandonou a franquia, então a troca deixou no ar um clima de gato por lebre.  Predador II falhou em manter o padrão do original, mas qualquer um na época acusando de racista os que não gostaram do filme seria visto como uma criatura alienígena, um ser estranho e mentalmente perturbado.

Como vemos, o que temos de vanguarda em Hollywoke hoje não é a diversidade no cinema, mas o fato de que sinalização de demência e sinalização virtude são entendidas como sinônimos. Essa é também, não devemos nos iludir, uma novidade antiga, mas o mundo, como já cantava o Cazuza, é um museu de grandes novidades.

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