Mendigopill

 

Viralizou virulentamente na viralizosfera a notícia¹ do mendigo que transou com uma popozuda delícia e foi parar no hospital após ser flagrado no carro em plena chumbregância pelo marido, que além ser personal trem faz biscate como corno manso nas horas vagas para complementar o orçamento. O coitado descolou da realidade e está até agora convencido² de que a esposa foi estuprada. Tadinho. Se está todo mundo em choque com essa surreal história, imagine ele que levou chifre de um mendigo e ainda vai ser processado por lesões corporais. Corno só leva na cabeça, gêintchy, e geralmente é na testa. Não há o que fazer, infelizmente, além de tentar explicar o inexplicável com fim de tornar entendível aquilo que não pode ser entendido.

Para alguns, a hipófise que explica o femônemo é um suposto fetiche da menina, substantivo inadequadamente empregado para descrever o que na realidade seria uma parafilia. Há parafilias bastante estranhas, como a necrofilia - tara por cadáveres - e a coprofagia - tara por comer fezes -, mas mendigofilia definitivamente não existe. A mente é uma estrutura bastante plástica, capaz de coisas notáveis e curiosas, mas mulher com tara por homem feio e pobre está muito além dos limites da biologia humana, um evento mais improvável do que uma violação das leis da física, então pode esquecer. 

Esse negócio de violação das leis da física é tipo feminista defendendo igualdade de gênero: nunca vi e não conheço ninguém que tenha visto. Tecnicamente falando, não é um evento ilógico ou impossível de ser avistado, mas se alguém observar tal coisa, o correto a fazer é internar, pois o mais provável é que trata-se de um surto psicótico. Uma breve inspeção em um áudio vazado³ da popozuda revela que foi o que provavelmente ocorreu. Clássico caso de psicose erotomaníaca esquizotípica reversa, que é quando a mulher dá porque está louca, e não porque está louca pra dar.

Há ainda os que postulam um búgui na Matrix, algo que muitos estão chamando de mendigopill. A mendigopill é uma verdura mística acessível somente aos iniciados, que diz que modernetes, por estarem intoxicadas de feminismo e embriagadas de privilégios ginocêntricos, são capazes de dar até para um mendigo, mas se negam terminantemente a dar para você. Justo você, um cara legal, querido, atencioso, carinhoso, fiel, trabalhador e respeitador. Para os que acreditam na mendigopill, a recomendação médica é não contrariar, pois o pior que pode acontecer com alguém durante esse estado psicótico é ejacular precocemente enquanto descasca uma bronha assistindo X-Videos.

Não tem erro: você é pobre, feio e avistou uma popozuda delícia arrastando a xereca para o seu lado louca para dar para você? Algo está errado, muito errado. A dura verdura é que nenhuma lei hipergâmica da física foi violada nessa história, que nada mais é do que prova do que já é largamente sabido desde a época dos fenícios: quando a esmola é demais, o santo desconfia. Como podemos ver nesse caso, o mendigo não desconfiou que não tem como alcançar Ferrari de patinete e não adianta tentar fazer em várias viagens quando o carreto é areia demais para o seu caminhãozinho. 

Terminou no hospital porque é um cara de sorte, pois podia ter acordado no necrotério. Pior, podia ter acordado na penitenciária abaixo de porrada enquanto perde o cabaço do capitão Rugas com uma acusação de estupro estampada nos cornos. Não deve ser um destino pior do que levar chifre de um mendigo e virar notícia nacional com sua testa chifruda eternizada memeticamente na viralizosfera, mas, como ia dizendo: corno só leva na cabeça, e geralmente é na testa.



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