Saudades dos Nistos



Mas bá, tchê! Estava sentindo falta desses totó feministo no meu danger space. Faz tempo que não aparecem para tomar um chimas e contar uns causo. Quando o causo é bom eu enterro o ferro neles com força, maneteio pelas crina, finco as espora no lombo e seguuuuura peão! Aí ficam lá corcoveando mais que potro xucro, até cansar. Como diz o Jorge da Borracharia, um gaudério aqui de Novo Hamburgo: gosto, gosto, gosto. Isso nunca me preocupou, pois minha cisheternormatividade não fere minha gauderiedade.

Esses totó já conheço de outras Califórnias da Canção. Você enterra o ferro uma vez e eles ficam voltando pra levar mais. Desconfio que gostam. Entendo que o ferro gaúcho é de outra têmpera, um aço diferenciado, mas não é para tanto também, né? Não precisa se apaixonar. Depois de corcovear bastante, Luquinhas pediu um bis com jeitinho. Conforme já avisei, o que me pedirem por aqui com jeitinho, eu faço com amor e carinho. E depois, se o abalroamento é consentindo, aí não é instrupo, é amor, né? O amor é sempre lindo, mas o abalroamento é bem melhor. O ruim é que esse posta bosta churria por tudo as minhas publicações. Vou ter que limpar com creolina depois para sair o cheiro, mas vamos lá.

Luquinhas quer que eu adivinhe usando meus poderes telepáticos de gaudério qual seu estereótipo social. O estereótipo social desse totó é do tipo anti-social, sem princípios, imoral, traiçoeiro e covarde, daquele que precisa se juntar com turminha para atacar um só. Está participando do linchamento do Maurício do vôlei, mas vem aqui para reclamar de linchamento. Não houve linchamento nenhum. Até escondi seu nominho com um box rosinha, cor que escolhi com carinho só para demonstrar meu amor. Nenhum exposed ocorreu, mas o xirú apareceu para se entregar no próprio post: fui eu o posta bosta que pariu essa caquinha! Como ia dizendo, quando é consentido, aí é amor, né? Sei lá o que tem no meu corpinho que esses totós são apaixonados por mim. Sei que mamãe passou mel no meu ferro, mas não é porque o ferro é docinho que ele não machuca.

Na minha terra, peleia é olho no olho. Esfaquear um pai de família desarmado e indefeso pelas costas não é coisa que se faça. Luquinhas é do estereótipo social que acha que justiça é só para quem ele aprova, mas isso não é justiça, é apadrinhamento. Esse não é o Pampa Way que jurei defender desde petiço. Por aqui justiça é para todos: para o negro, o gringo, o índio, pra peão e o estancieiro, para o nativo e o forasteiro, pra gremista e colorado, pros piá e pros mais velho, pros guri e pras guria, pro totó e pra titia.

Não sei quem é esse tal de Maurício. Não sei se é amigo, inimigo, ou para que time torce. Não sei se prefere polenta ou choripán com salchixa, mas isso não me interessa. O covarde mal que lhe fizeram não pode ser revertido. Não teve nem mesmo chance de ser julgado, ter pena justa e proporcional caso culpado, e, se inocente, liberado. Luquinhas é também o estereótipo social do guri porquera que se faz de salame para ser comido em rodelinha. Entende tudo que escrevo, mas finge que não entendeu para não ter que mostrar onde está o erro, coisa que já sabe não saber fazer. Esses totós são todos iguais. Fogem sempre da peleia churriando tudo pelo caminho enquanto escorregam na própria bosta.

Em uma coisa ao menos, Luquinhas acertou. Assim como Gisele Bündchen e o Superman, eu sou gaúcho, mas dos fraquinho, né? Sou só um guri de apartamento aqui de Porto Alegre, e dos meia boca, mas não é porque sou dos gaúcho fraquinho que não possa representar minha terra com honra, justeza e dignidade. Meus modos são brutos, meu semblante carrancudo, mas meu coração é justo e puro. Não guardo mágoa ou desejo o mal de ninguém. Como todo o gaúcho, só o que eu quero é dar. O que tenho pra dar, entretanto, é ferro, prata e amor. Meu ferro já é da patroa, e minha prata nem ela põe a mão, então o que me resta a dar aos outros é amor. Amor sem fronteiras, incondicional, sem nada exigir em troca.  

Se por vontade da madre Frida um dia o patrão Zuck me levar, não te apoquentes. Me vou de cabeça erguida, certo da missão cumprida. Fiz sorrir, fiz chorar, inspirei, fiz pensar, e se alguém machuquei, isso é coisa que ficou lá atrás. Nada há para se arrepender, muito menos lamentar, pois tudo que fiz foi por amor. Amor por fazer bem feito, amor à verdade, à justiça, amor aos guris, gurias e guries de todas as querências. Que sirvam as minhas façanhas de modelo a toda terra, pois o que fiz também foi por amor à minha, o meu querido Rio Grande, a pátria onde nasci e irei, por fim, descansar.

“O que fazemos pelo Rio Grande, ecoa pela eternidade" - Maximus Gauderius Meridius

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