Toma lá, dá cá


Feminismo é a ideia radical de que o boy que fala mal de uma mina com os manos é machista, o que me leva a crer às vezes, mas só às vezes, que feminismo deve ser mesmo uma coisa inventada por mulheres. Somente mulheres teriam condições de concluir que elas podem camuflar sua necessidade patológica de passar o tempo inteiro falando mal uma das outras insinuando que o problema real do mundo é macho perdendo tempo para falar de mulheres em rodas masculinas, e que tal obscenidade herética é algo que deve ser combatido como se fosse o equivalente a sexismo contra mulheres, uma grave ameaça à paz social e a justiça de gênero. Sim, claro.

Normalmente as pessoas se projetam nas outras, então é natural que mulheres achem que homens quando estão entre eles estão falando mal de alguma mulher, já que é precisamente isso que mulheres fazem quando se juntam. Sabe a Fulaninha? Colocou silicone. Tá se achando essa perua. Ridícula aquelas roupas. Viu o cabelo? Ui, que horror! Viu a Beltraninha?  O marido largou ela porque levou chifre. Muito piranha. Casou só pela grana, porque o chifrudo tem pinto pequeno e é ejaculador precoce. 

A criatura tem que ser muito fora da casinha para achar que é isso que homem fica falando quando se junta. Não pode ser isso pois homens não conhecem o tamanho do pinto dos outros nem fazem ideia de quanto eles duram na hora do rala e rola. Não é nada disso que eles falam, então quando eu era novo eu me projetava no sexo oposto e achava que os assuntos nos grupinhos de meninas eram os mesmo dos meninos: sistemas econômicos, geopolítica, dilema ôntico/epistêmico da indeterminação do mundo quântico, videogames, a origem do cosmos, Star Wars, The Simpsons, soluções tecnológicas para a crise energética, essas coisas. Santa inocência, Batman. Enfim, eu era muito bobinho quando era franguinho. Depois a gente cresce e aprende a fingir que é bobinho pra não ficar no cinco contra um.

Por falar em bobinho, a prova de que o homem moderno está sojado e efeminado é a quantidade de franguinhos que se junta na Internet para ficar falando mal de mulher. Isso é assunto de menina, mano. Toma vergonha na cara, pare de fofocar como uma garota e vira homem. Sei lá, faz um tratamento de reposição de testosterona, vai puxar um ferro, ler umas filosofias, programar um driver de dispositivo, operar vendido com opções de dólar usando o limite do cheque especial, consertar o encanamento, trocar um pneu, apertar um parafuso, essas coisas que o macho de antigamente fazia.

Lembrem-se, meninos: a cabeça que pensa é sempre a de cima, nunca a de baixo, então não troque as bolas. Só há um momento na vida de um homem em que ele precisa concordar com o que uma mulher fala, que é quando ela vai dar. Se a mina vai dar caprichadinho, aí 2+2=5, o céu é amarelo, as nuvens são de algodão, elefante voa, você é muito gata, além de linda é inteligente, feminismo defende igualdade e o que mais ela quiser ouvir pra se motivar a dar. Mas tem que dar. Sem essa de querer que eu fale o que você quer ouvir para que tope dar e depois dar pra trás. O game é esse: toma lá, dá cá. 

Esse contrato é temporário, e só dura enquanto a dita dura, porque assim que  a dita dura se acabar o que eu quero é Diretas Já, democracia e o fim da censura. Falo o que eu quero, penso o que eu quero, manterrupto quando eu quero, mansplaineio o que eu quiser para quem eu quiser, só presto atenção no que eu quiser, gaslighteio qualquer doida que eu quiser, e se não gostar já expliquei o que a princesa precisa pra conseguir a volta da monarquia. Sim, sou plebeu, mas não é porque sou plebeu que não posso tomar a Bastilha. Como já dizia la reine de Fance, Marie Antoinette: se não há pão, que comam deboche. Oui, que Frida a tenha. Na guilhotina.

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