Skrotinhos

 

Desde que comecei a escrever online, tenho que aturar feministas dizendo que eu sou um macho frustrado que odeia mulheres, mas algo difícil de se acostumar são os franguinhos Piu-Piu dizendo que eu passo pano pra mulher. Acho que isso é a tal de polarização que o pessoal fala por aí. Qualquer coisa que eu fale que não sirva para divinizar mulheres, sou misógino, e qualquer coisa que eu diga que não sirva para demonizá-las, eu passo pano. Acho que eu devo ser o tal de feminista anti-feminista que a Márcia Tiburi falou. Tiburi é um clássico. Um clássico da falta de noção e de vergonha na cara.

Acho que os franguinhos devem ser da turma que acha que mulheres vão destruir o Ocidente. Fás centido. Os Piu-Piu instalaram o Jumanji no Xiaomishunga, entraram pra dentro do app e acham que saíram da Matrix. Modernetes não trocam nem pneu sozinhas pra não estragar azunha, não pagam as próprias contas sem macho assessorando, são metade da população brasileira e precisam de cotas na política, já que nem mulher vota em mulher, mas são seres divines & superpoderoses com a capacidade de destruir civilizações. Isso é o que o franguinho Piu-Piu acha, mas eu é que sou o baba ovo de fêmea. Sim, claro. Sai do Jumanji, querido. Esses joguinhos para celular são tóxicos, e paralisam o cérebro de qualquer um.

A verdade é que eu sinto pena dos franguinhos Piu-Piu. Estão totalmente zureta do app jogando um jogo sem saída. Os Gen X viajavam no Cosmos sem gasolina tocando Raul e uns outros bagulhos que eu não vou revelar, mas depois de viajar a gente voltava. Parece não haver volta para os que viajam no app e se trancam na bolha com os gnomos. Nem é possível culpá-los, já que nunca viram um mundo que não seja esse. Sou só um Gen X, um dinossauro de outro mundo, um universo fora da bolha. Je suis Marty McFly, de volta para o futuro. Sabe como eu cheguei aqui? De busão, né mano. Não sou filho de papai riquinho, então não tinha grana para comprar DeLorean. 

Minha vida mudou radicalmente, entretanto, em 1998, o ano em que eu comprei minha super-máquina. Sabe o que aconteceu depois? Fiquei bonito, é óbvio. Ferrari é para os fracos. Eu virei o Brad Pitt com um Gol Bolinha que eu adquiri na Picareta Motors. Semi-usado, branquinho, 1.0, sem ar-condicionado nem direção hidráulica. Fazia de 0 a 100 em 45 segundos queimando 1L de gasolina. Não tem como ficar no cinco contra um com uma máquina dessas, não tem como, mas enfim, eram outros tempos.

Outra que eu tenho que aturar é que minha página é escrota. Isso é papo de millennial, coisa de gente que nasceu em um mundo politicamente pom pom cheirosinho, nunca viu escrotice na vida e pensa que conhece a verdadeira natureza da escrotidão. Minha página é família, mano, só que é família vintage, um item de colecionador. Para provar que não estou mentindo, peguei o meu Gol Bolinha e trouxe de volta para o futuro uma tirinha dos Skrotinhos, do Angeli. Um clássico de inocência e pureza dos anos 1980. Humor comportado, para todas as idades.

Se fosse uma modernete nessa tirinha, ia ficar de mimimi por causa do machismo dos machinhos escrotinhos e querer que pedissem desculpas para ela, e não para o marido. Mas por que a egocêntrica modernete narcísica vai fazer essa ceninha tosca de vitiminha do patriarcado? Ora, para o marido não desconfiar que é corno. Corno não tem nem que achar que merece desculpas, ficar com ciúmes ou ter sentimento de posse, pois menino é menino, menina é menina, e chifrudo é chifrudo. Trair a mulher também não pode, pois isso é machismo. Tudo é machismo. Tudo é misoginia. No meu tempo o nome disso era otário, mas hoje o pessoal chama de homem desconstruído. Os Skrotinhos iam dar muita risada dessa piada sem graça. Rir de piada sem graça é escroto, mas o que mais poderíamos esperar dos Skrotinhos? 

Os Skrotinhos eram um farol na escuridão, uma luz de outrora a guiar os aflitos, os desorientados e os perdidos. Não havia cu no qual não metessem o dedo. Na sua escrotice eles sabiam que cu que tem medo de dedo está escondendo segredo. Mas que coisa nojenta e pútrida é essa que só consegue sobreviver nas sombras protegida de uma dedada? Deve ser algo escroto. Muito escroto. Tem que endedar isso aí. Tudo que fura o que é furado fabrica um mundo menos cagado.

O fato é que minha geração era escrota, mas era limpinha. Nossa escrotice era virtual, algo que estava na superfície, pois por dentro nós tínhamos projetos, sonhos, ideais e valores. Hoje o mundo é asséptico, comportadinho, mas isso é só marketing, um manto para encobrir a sujeira, um spray para disfarçar o cheiro. A mesma modernete que se escandaliza por ser chamada de gostosa na rua acha belo e moral dizer que mulher morre por ser mulher, que temos que ensinar homens a não estuprar, que racismo tem vetor histórico, que temos que proteger falsas acusadoras e que é possível decidir se houve consentimento após o sexo. Hoje cu dodói vale mais do que liberdade de expressão, e uma simples tabela estatística é discurso de ódio.

No mundo do debate racial e de gênero, não há debate, apenas monólogo, já que qualquer coisa que não fale o lugar de fala é massacrada com ameaças e intimidações. Na terra dos safe spaces e da sinalização de virtude, virtude é só uma cortina de fumaça para esconder o que é tóxico, amoral, perigoso, falso, manipulador, traiçoeiro, hipócrita e venenoso. Isso sim é escroto. Não a escrotice inocente dos Skrotinhos, mas a escrotice podre dos covardes, dos pulhas e dos intelectualmente fraudulentos. O mundo hoje fede, fede muito mais do que fedia a burguesia no rock do Cazuza.

Cazuza queria uma ideologia pra viver, posto que não tinha nenhuma. Era um rebelde sem calça cujos heróis morreram de overdose. Foi-se o tempo em que as ideias não correspondiam aos fatos, visto que ninguém sabe mais a diferença entre essas duas coisas. Estamos no limbo purgatório da pós-verdade, dos ideólogos sem causa, dos anti-racistas racistas, dos apartheids inclusivos, da diversidade excludente e das defensoras da igualdade de gênero sexistas. 

Morrer de overdose comparado a isso é ser um herói. Hendrix e Joplin ao menos nos deixaram música. Os revolucionários de bolha digital não vão deixar nada para posteridade, nem mesmo uma piscina cheia de ratos. Eu vejo o futuro não repetir o passado, não vejo um museu de grandes novidades. Sim, o tempo para. Não só para como retrocede.  

Postagens mais visitadas deste blog

O Fardo da Mulher Extrovertida

Calabresa Fagundes

Iara Dupont

O Mundo de Cinderela

O Urubu e o Louro