Machismo Cosmopolita

 

Feministas estão salivando mais do que piranhas no cio quando sentem cheiro de boi sangrando na água¹ com a notícia de que o médico brasileiro machista assediador foi detido no Egito² por, conforme as autoridades locais, "expor a vítima a insinuações sexuais e insinuações com palavras, uma transgressão aos princípios da família e valores da sociedade egípcia". O episódio é similar ao mítico caso da buceta rosa³ na Copa da Russia em 2018 com os torcedores brazucas. Imaginando que uma funcionária de loja não entendia português, o médico disse que as meninas gostam mesmo é do bem duro, perguntou se comprido também fica legal e postou o video com a pornográfica cena online. Certamente um criminoso sem noção, já que qualquer arigó sabe que as meninas gostam mesmo é do bem mole, e acham que curtinho fica legal. Estou falando de pudim e pretinho básico, mas como você tem a mente suja, já pensou outra coisa.

O Egito é uma sociedade Islâmica ultra-conservadora, então pudim e pretinho básico por lá é uma ofensa sexual, pois as meninas casam virgens e precisam proteger sua imagem de pureza e castidade. Também era o caso para mulheres no Ocidente até a revolução sexual, que não só é vovó como já é gagá. Não é mais o caso hoje, pois o conceito de honra da mulher direita já caducou faz tempo. Tendo caducado, então qualquer comentário que fere sua inexistente imagem de casta e pura é literalmente crime impossível. O sujeito dá um tiro em alguém dormindo, mas ele já estava morto. No máximo é vilipêndio de cadáver, porque assassinato não pode ser nem que essa fosse sua intenção.

Estamos hoje em um mundo intoxicado de discurso de ódio a macho feminista, que é tão pervasivo que mesmo indivíduos que se entendem antifeministas o endossam, e já não lembram que feministas, com fim de demonizar homens, convenientemente adulteraram o curso da história para, em um passe de mágica arteira e safada, entender que mulheres ainda possuem a suposta honra da mulher direita das suas bisavós, portanto sujeitas a serem vítimas de ofensa sexual, aquilo que a patrulha definiu desonestamente como assédio. O video que o médico postou, ou mesmo o mítico video da pepeca rosa, poderiam tranquilamente ser um quadro da TV Pirata nos final da década de 1980. Ninguém ia fazer alarde, no máximo considerar de mau gosto. 

Para os hipnotizados com o discurso de ódio a macho feminista, é sempre salutar usar a técnica da inversão de papéis para analisar a ética da cena. Se uma mulher gravasse um video dizendo que um homem gosta mesmo é do bem duro, que comprido também fica legal e postasse hoje na rede, absolutamente nada iria acontecer além de riso. Isso ocorre pois homens não têm honra sexual a proteger. Ninguém está nem aí para a sua virgindade anal ou a castidade e pureza do seu furico, e mesmo que estivesse, também não há razão para reclamar, pois o que ocorreu foi só uma brincadeira. Mesmo que você não tenha gostado, seu furico continua intacto, intocado, puro e casto como sempre foi, ou já era, já que isso é um problema seu e ninguém tem nada a ver com isso. No máximo o que pode fazer é contestar o uso não autorizado do seu furico. Afinal, se alguém está ganhando grana com o seu fifi, é justíssimo exigir uma comissão.

Mulheres hoje podem balançar a raba em clipe de funk no Fantástico, dar entrevista falando sobre o quanto adoram dar, comentar sobre sua coleção de vibradores e ninguém pode dar um piu para reclamar que aquilo não é coisa que mulher direita deveria estar fazendo, pois isso é machismo. É machismo pois a ideia de que mulheres têm alguma honra sexual a proteger é machismo, que é o que feministas defendem, embora só a parte do machismo que consideram conveniente ou para garantir privilégios, ou para demonizar homens. 

O que temos então é que a mulher moderna pode vestir o que quiser, falar o que quiser, ser sexualmente agressiva e inconveniente quando bem entender, exibir comportamentos que seriam considerados cabeludos mesmo para mulheres no ápice da revolução sexual na década de 1990, mas não só exige não ser censurada ou condenada como pretende ser tratada por homens como mulher direita, a mais virginal, casta e pura das galáxias. Enquanto isso, de homens é exigido comportamento mais puritano que o requerido de cavalheiros na década de 1950. A exigência é só para os feios e pobres, é claro, já que os gostosões elas querem que se comportem como gorilões selvagens de tico duro em festa de Halloween: boquete ou travessuras.

Antes da revolução sexual, distintos cavalheiros tinham liberdade para elogiar a beleza de mulheres em qualquer contexto ou situação, com ou sem intenção de flerte, algo que hoje a patrulha sedenta de sangue define como assédio, como pudemos ver no caso recente⁴ com o humorista Jim Carrey, acusado de ofensa sexual, digo, assédio por dizer que a entrevistadora era o item na sua lista de coisas importantes que faltava realizar na vida. O comentário não tinha conotação sexual, pois sugeriu romance, foi polido, bem humorado, educado, inteligente e com timing, o tipo de coisa que arrancaria suspiros das vovós arteiras assistindo TV de tubo em preto em branco em 1950.

Esse parece ser o problema com o feminismo hoje: tudo é flat, com milhões de cores e resolução de 4K, então tem que achar cabelo em ovo até onde não há ovo nenhum para inspecionar na telinha. Por sorte das feministas, especialmente as europeias, o Islã está vindo. Em breve a patrulha vai poder assistir de hijab e longuinho, pois também fica legal, os Maomezinhos defendendo as meninas de transgressões sexuais e protegendo os sagrados valores da família islâmica. Tudo ao vivo, em bilhões de cores e altíssima resolução. Espero não estar aqui para ver e dar a última risada, já que esse negócio de rir por último é coisa de gente que é lenta para entender as coisas.




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