As Quatro Cavaleiras do Lacrocalipse


Se você tinha esperança de que classistas identitários iriam finalmente tomar juízo por causa de um Big Brother identitário, quem perdeu o juízo é você. Após breve período de catatonismo, em que a lacrosfera fez cara de que caiu a ficha e pose de que dessa vez vai, parece que estão entrando em modo de histeria esquizofrênica borderline paranoica coletiva, ou seja, já estão voltando ao normal. 

No Universa, a empoleirada Carla Lemos¹ opinou por passar pano para Karol, visto que trata-se de mulher sofredora, um cerumaninho que deve ser entendido no complexo contexto da sua falibilidade. Já a épica Nina Lemos², sempre ébria da manguaça, acha que Lucas saiu do programa voluntariamente pois foi vítima de racismo e LGBTfobia em uma casa cheia de negros e LGBTs, além de um macho que pede desculpas por ser homem. Bofe em crise existencial porque nasceu com um par de bolas é um queer clássico, um transjumento fluid não binário com disforia de cérebro que senta para fazer pipi, então também serve à causa, nem que seja como capacho.

Nada se compara, entretanto, ao show de demência militante do vídeo da Revista Fórum no Youtube³, onde Cynara Menezes, Ivana Bentes, Laura Capriglione e Jô Gomes, as quatro cavaleiras do Lacrocalipse, alucinam uma tese tirada do fundo de uma garrafa de Drurys de que o BBB21 foi uma farsa montada para sabotar a luta antirracista. Se era para promover a causa negra, o video já está errado na escalação das comentaristas opiniáticas. Não há homens negros na telinha, e apenas Jô Gomes é negra, então o que temos é uma D'Artagnan Black Power e as Três Mosquiteiras Palmito, um trio de quatro com déficit de lugar de fala. 

A Globo, a emissora mais lacradora e militante do Brasil, supostamente manipula corriqueiramente a opinião pública para difamar o movimento negro, portanto escolheu os big brothers negros a dedo para criar tensão e ódio entre a militância lacradora e alimentar ódio contra duas mulheres negras. O salto lógico aqui é típico da lacrosfera descerebrada que está devidamente representada no BBB. A conversa inicia com causa negra, com gênero não especificado, onde Karol e Lumena são desautorizadas como militância negra legítima. Logo após a dupla é alçada à condição de mártires vitimizadas pelo ódio arquitetado pela Globo, que tem objetivo de atacar o feminismo negro.

Não pode ser Drurys o que as cavaleiras do Lacrocalipse estão tomando, tem que ser algum psicotrópico da pesada. Se o objetivo da Globo é vitimizar feministas negras, como Karol e Lumena podem não ser legítimas representantes da lacrosfera racial interseccional empoleirada? Não fás centido essa teoria da conspiração. A cereja do bolo das teorias alucinatórias fica por conta de Capriglione, que diz que não está vendo o BBB, mas está entendendo tudo. Ela pensa que a série americana A Cor do Poder, veiculada antes dessa edição do BBB, é uma história de pretos oprimindo brancos, e isso não é por acaso. Com certeza a série pretende vender o fake news de que negros são os agressores que pregam a divisão para preparar o terreno para a BBBzada final contra a militância.

Isso aqui não é caso de mera alucinação ordinária. Capriglione, que pretende falar pelo movimento negro - embora afirme que não tem lugar de fala para falar pelo movimento negro - não viu o BBB, também não viu A Cor do Poder, e ainda quer dar pitaco fabricando universos de fantasia inteiramente tirados da bunda, onde o mundo é como ela acha que tem que ser. Se falar asneira desinformada e sem noção fosse um esporte Olímpico, temos aqui uma medalhista. Ouro garantido. A Cor do Poder é uma série criada pela lacrolândia gringa em que vemos um mundo hipotético onde negros foram o povo que colonizou o Ocidente e brancos são a raça colonizada e oprimida. Na superfície, pretende gerar empatia e reflexão, mas a maneira maniqueísta e distópica com que representa a realidade racial paralela evidentemente está em conformidade com os ditames teóricos da Critical Race Theory, endossada pelo Black Hate Matters, e existe para produzir a narrativa de que brancos são o mal encarnado que criou e mantém até hoje uma sociedade de castas raciais tirânicas para perseguir e oprimir negros.

O que temos aqui é uma teoria alucinatória em que a emissora mais lacradora do Brasil, mancomunada com Hollywood, a indústria mais lacradora e militante da galáxia, estão de conluio para sabotar e distorcer a militância que patrocinam e alimentam. O veículo que escolheram para dar cabo ao seu brilhante plano é um reality show de quinta categoria em um país de terceiro mundo, que vai ao ar para não ser levado a sério. Aí você decide se Capriglione é caso para internar ou para trancar no hospício. Esse vídeo das quatro cavaleiras do Lacrocalipse, ironicamente, faz tudo o que a lacrosfera adora fazer, que é acusar os outros de fazer exatamente o que fazem: promoção de ódio, divisão racial, desinformação e fake news, tudo empacotado em uma embalagem cheirosinha de presunção de virtude enfeitada com uma fita rosinha de pretensa lucidez.  



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