Não Existe Feminicídio Reverso


Mais um post duplipensante do Quebrando o Tabu, que não noticia assassinato de policiais nem quando são mulheres, mas não resistiu a mais essa chance de lacrar encontrando mais uma mulher que morreu por ser mulher, o popular e imaginário crime de feminicídio. Sylvia Rafaella foi morta pelo marido, também policial, que suicidou na sequência. O caso é idêntico ao do delegado Bluepillynskyj, com a diferença que Bluepillynskyj miraculosamente sobreviveu a cinco tiros disparados pela companheira. Ela não tentou matá-lo porque ele era homem. Foi só um crime passional, o único crime que homens não podem cometer pois a legislação decretou que homens nunca cometem crime passional.

As diferenças não param por aí. Não vai ter cobertura cinematográfica do Fantástico questionando o que de fato ocorreu. Os pais do marido não vão ser entrevistados chorando e dizendo que não acreditam que o filho tenha feito aquilo. Ninguém vai dizer que deveria motivos que poderiam justificar a ação do marido. Afinal, ninguém leva tiro de graça. Alguma coisa cabeluda Bluepillynskyj andava aprontando para atrair para si essa fúria toda. 

Claro que quando é o homem o assassino, aí nunca existe um motivo, e mesmo que exista algum, ele é inválido pois só mulheres podem ter algum motivo razoável para fazer bobagem. Homens são seres das trevas movidos por razões inescrutáveis. O macho escroto simplesmente acorda um dia, é tomado por um surto de masculinidade tóxica, e resolve que vai matar a esposa. É sempre assim que ocorre. Do nada, por nada e sem razão nenhuma a não ser o desejo de matar uma mulher só porque ela é mulher. Ele poderia satisfazer sua sanha assassina misógina com qualquer mulher, mas, por coincidência, o alvo que ele escolhe é sempre a dele. É muito azar. 

Já notou que homem sempre mata a titular, mas nunca a amante? Deve ser por isso que as meninas tem atração por caras comprometidos. É mais seguro. Seja como for, em qualquer hipótese possível e imaginável, quando ocorre crime de piriguetecídio, o homem é inquestionavelmente o monstro da história. Podemos concluir isso com segurança antes de qualquer investigação. Ainda que a investigação o inocente, ele continua suspeito pois a polícia só é competente e diligente quando conclui que o homem é o culpado.

Assim como Bluepillynskyj, Rafella tem uma conta no Instagram onde faz pose com armas. Quando Bluepillynskyj faz pose no Instagram com fuzis e pistolas, ele é um armamentista, um cara do mal. Quando uma mulher faz o mesmo, aí ela é "digital influenciar", um ser de luz empoleirada mostrando a outras meninas valentes como é a vida de policial feminina. Awn... que fofo. 


Postagens mais visitadas deste blog

O Fardo da Mulher Extrovertida

Calabresa Fagundes

A Casada e o Shortinho

Iara Dupont

O Mundo de Cinderela