Cara & Coroa

De acordo com o raciocínio da culpa coletiva masculina promovida pela ideologia feminista, quando homens são obrigados a morrer em guerras, isso não conta como opressão masculina pois são homens obrigando outros homens a morrer. Como não conta como opressão masculina, também não conta como privilégio feminino. Pelo contrário, elas não enxergam sua proibição de ir para o front como privilégio, e sim como mais uma forma de opressão patriarcal. 

Foto de Joey Kyber no Pexels

Supostamente mulheres não são autorizadas no front pois o patriarcado as considera o sexo frágil, e isso é opressão de gênero. Supondo que a situação não tivesse sido essa e mulheres fossem obrigadas a morrer no front, aí a descrição feminista da história seria outra, e elas diriam que isso é opressão de gênero porque mulheres são mais frágeis e não deveriam lutar, mas foram obrigadas por machos misóginos a fazê-lo. Faltou empatia com as meninas. Nem vou mencionar que muitas rainhas lideraram nações em combate, e nenhuma delas exigiu a participação de mulheres, apenas observar que o patriarcado é opressor independente do que faça. 

Quando a opressão sofrida por homens é causada por outros homens, como já vimos, temos que não só descartá-la do opressômetro masculino como arranjar uma maneira de colocar mais pontinhos no opressômetro das meninas. Poderíamos usar exatamente esse mesmo raciocínio feminista para acabar com a responsabilidade pela escravidão. De acordo com o algoritmo feminista, negros foram escravizados por homens, então o mal que sofreram não conta como opressão pois seus algozes também são homens. Na interpretação feminista da história da escravidão, somente mulheres negras poderiam argumentar terem sido oprimidas, condição que permaneceria ainda que tivessem sido escravizadas por outras mulheres. 

O caráter coletivista da tese feminista nos permite atribuir a mulheres como classe apenas as virtudes, jamais os vícios. Já para homens o raciocínio é o inverso. Somente o mal que homens fazem pode ser coletivizado. O bem que homens fabricam em larga escala não é registrado como coletivo, não é atribuído a todos os homens. Pelo contrário, é registrado como coisa negativa, já que aqui temos mais uma forma sórdida de opressão da mulher. Homens que fizeram o bem pela sociedade na realidade roubaram o protagonismo das meninas. Elas até queriam ter feito mais, mas falharam em dar grandes contribuições para o progresso da civilização por terem sido impedidas de fazê-lo pela cultura patriarcal. Isso significa que homens, além de opressores, são imbecis. Mantiveram metade da população imobilizada, incapaz de contribuir com os avanços que beneficiariam a todos, somente para poder dizer que o crédito foi só deles. Que coisa maligna. É muita masculinidade tóxica mesmo.

O que temos aqui é o velho e famoso jogo do "cara eu ganho, coroa você perde". Empoleiramento puro.

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