Pornô para Homens


Piadas e comentários jocosos sobre o sexo oposto que homens fazem entre si são rotuladas como misóginas por feministas, mas totalmente autorizadas a mulheres quando entendem conveniente rir de homens seja por que motivo for, mesmo em público e na presença de homens. Não poderia ser diferente pois somente a mulheres é dado o direito de ter vontades e expressá-las na arena sexual, coisa que não é autorizada nem mesmo no recesso entre iguais para homens, como fica claro no artigo de Raphaela Ramos*, onde menciona a iniciativa de inserir homens espiões em grupos de WhatsApp para monitorar misóginos conteúdos pornográficos e outros comentários de cunho sexual que homens fazem entre eles. Óbvia é a observação de que se homens fizessem isso em um grupo de mulheres onde elas trocam conteúdo erótico e fazem comentários de conteúdo sexual, isso seria considerado misógino, a prova cabal do ímpeto patriarcal machista de controlar e tolher a expressão sexual feminina.

Para o solipsismo moral feminista, pornô é machista, visto que existe para atender a libido e as fantasias masculinas. Pornô é estereotipado e irreal não porque apresente na tela algo fantasioso que nunca vai acontecer na cama entre casais, mas porque é projetado para atender fantasias masculinas. Vale aqui não perguntar qual é o problema de um produto para homens atender a fantasias masculinas, mas observar que pornografia é e nunca vai deixar de ser um produto para homens, pois a visão faz muito mais parte da libido masculina do que da feminina, mais focada em narrativas do que em informação visual. Pornografia centrada na narrativa, que tem mais apelo ao gosto feminino, já existe há décadas. Esse tipo de produto nunca decolou pois um filme, ainda que com a narrativa valorizada, continua sendo um filme, algo que apela à visão, portanto tem apelo menor para mulheres.

Deixemos isso de lado e vamos nos perguntar como consertar a pornografia para uma direção saudável. Qual a direção saudável? Evidente que saudável é a pornografia que atende aos anseios e preferências femininas, o padrão do que é puro e moral em termos de libido e erotização, aquele que ensina não homens a querer certas coisas que vêem no pornô machista com a parceira na cama, mas fazer com que aprendam que a única coisa válida e socialmente aceitável que podem fazer na cama é atender aos interesses erótico-afetivos da parceira. 

Não por outra razão, feministas têm horror a bonecas de silicone. Tais coisas são objetos, portanto não emitem consentimento. Precisamente. Objetos não consentem, não possuem vontades e existem apenas para satisfazer o agente como ferramenta para atender suas necessidades. Dessa observação, concluímos por necessidade lógica que homens são objetos a serviço da libido feminina, e a sociedade deve empenhar-se a todo o momento de fornecer a homens orientações e manuais sobre como melhor servir as mulheres, roubando deles até mesmo a ideia de que outra alternativa é possível. 

Não existe conceito de consentimento para homens na sociedade. Somente mulheres, os não objetos, os dotados de desejos e vontades, os humanos, os não coisas sem o status de mero instrumento e utilitário, são as que consentem e possuem o direito de ter seu consentimento valorizado, vigiado e protegido por terceiros.

Objetifiquem-se, meninos. Mas com moderação.

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